ARQUIVOS DO GRAMPO
7 de agosto,
E.U. A.
Depois
de telefonar para Versago, Kim foi analisar mais uma vez todos os documentos
achados na casa do governador, a fim de ter certeza do que encontrara. Quando
entrou na sala de arquivos, encontrou Demarco ao telefone celular já desligando,
as últimas palavras que foram ditas por ele foi “Eu te amo, tchau”. Kim não se conteve em comentar.
Kim
–Namorada?
Demarco
–Não, era minha mãe, eu sempre ligo para ela.
Calados por um instante, Kim quebrou o
silêncio chamando Demarco para analisar os documentos e as fitas de áudio que
encontraram na casa de Arnold Anderson. Todo o conteúdo parecia já ter sido
resumido, pois eles tinham pouco mais de uma hora de áudio para ouvir, de
diversas conversas de Mara com outros nomes.
Kim
–Vamos ouvir a voz de Mara mais uma vez!
Colocando assim as fitas para tocar,
sempre antes de uma conversação de Mara, era dito a data e a localidade que se
passara, provavelmente gravada por aquele que grampeou Mara, ou Sofia, na época.
-Primeiro
de março, escritório de Arnold Anderson na prefeitura, foi captada uma ligação
internacional para o Cazaquistão no idioma inglês de Sofia...
Sofia
–Alô “Noah...” As coisas estão indo tudo
como planejado, nunca estivemos tão próximos dessa grande realização.
Noah –Entendo,
finalmente eu terei minha tão esperada vingança contra o demônio da guerra, eu, com meu rifle gostaria de dar-lhe um tiro!
Sofia
–Compreendo seu ódio “Noah”, porém, não devemos antecipar o que já tem data
fixa para acontecer, depois deste dia nossa organização sem dúvida
revolucionará a história.
Noah
–Certamente...
Sofia
–Estou ligando pra dizer que está tudo preparado para sua visita.
Noah
–Obrigado “Sofia”.
Quem seria “Noah”? pensava Kim. Entendia-se nesta gravação que Mara não era a mentora de tudo que ocorrera até
então, ela estava seguindo ordens deste homem, “Noah”.
-Dois
de março, outra ligação foi feita por Mara dum telefone público, na qual não foi
possível captar o áudio do outro lado da linha no idioma russo.
Sofia
–Eu disse para você não ligar neste número de celular, eu estou nos Estados
Unidos e aqui há muita incidência de grampos telefônicos...
...
Sofia
–Não interessa! Quero saber como foi com os egípcios da Al Gama’a Al Islamyya?
...
Sofia
–Muito bem... Pegue os Kalashnikov e aguarde o chamado do Deverreaux para
realizar a troca.
Não era possível ouvir, mas voz do outro lado
da linha era de Mikhail. Era ele em uma de suas transações criminosas, como
capacho de Mara.
-Dois
de março, logo após a ligação para Mikhail, Sofia liga de seu celular para o
governador Anderson, no idioma inglês.
Sofia
–Arnold...
Anderson
–Você de novo! Já disse que estou ficando cheio destes seus joguinhos, quem
você quer ferrar do meu partido?
Sofia
–Já disse que ninguém, eu tenho planos e tenho meios para realizá-los meu
amorzinho, e você é apenas um degrau onde eu piso para alcançar o que quero.
Anderson
–E eu sou seus meios, você está querendo dizer...
Sofia
–Já disse, você é apenas um degrau. Preciso que entre em contato com Gerson Deverreaux, em St-Etiene, autorizando ele a realizar a transação com Mikhail, apenas diga
isto a ele.
Anderson
–Desde que lhe conheci você tem me forçado a fornecer informações desta fábrica
de equipamentos bélicos na França, então sofremos recentemente esses ataques
atribuídos ao ETA.
Sofia
–Euskadi Ta Askatasuna? Não... Jamais estaria envolvida com tais criminosos.
Anderson
–Se eu descobrir que você tem alguma coisa haver com tais atentados, não
pensarei duas vezes antes de entregá-la as autoridades, mesmo sob suas ameaças.
Sofia
–Arnold... Arnold... Você não está me investigando está?
Anderson
-...
Sofia
–Okay, ligue para Gerson e dê a ordem.
Esta conversa gravada entre Mara e o
governador Anderson foi tudo o que ele próprio falara para Kim e Demarco no
interrogatório. Este poderia ser o seu álibi, caso fosse resgatado. A fita
continuava a rodar.
-Vinte
e cinco de março, Sofia faz outra ligação internacional para o Cazaquistão do
escritório de Anderson, na prefeitura, para um homem chamado Noah, no idioma dari.
Sofia –Alô, “Noah”... (Em Inglês)
Noah
–Em dari, por favor.
Sofia
–Gostou da América?
Noah
–Pedi-lhe para falar em dari para não ter que usar este idioma imundo ao
conversar com você, Sofia.
Sofia –Vai dar tudo certo, chegamos aonde
chegamos sem levantar nenhuma suspeita. Estamos trabalhando há anos neste plano, e passo a passo, iremos ferir este maldito gigante e senhor da guerra.
Noah
–Você me disse que conseguiu um aliado inusitado e de alta patente aí na
América que poderá agilizar nosso plano.
Sofia
–Exato, só que não posso falar dele por telefone, nem seu nome nem o cargo que
ocupa, só que ele já fez muito pela gente e quer fazer parte disso, mesmo sendo
americano.
Noah
–Não confio em americanos!
Sofia
–Não se preocupe, ele está do nosso lado.
Noah
–Eu confio em você.
Cada vez mais surgiam pessoas e peças
neste quebra-cabeças. Kim e Versago tinham de prestar devida atenção em cada
detalhe.
-Quinze
de Abril, o celular de Sofia toca de repente quando ela estava a sós com o
governador Anderson, discutindo algo em seu escritório na prefeitura. Sem se
aperceber, ela não olha no identificador de chamadas e atende. O homem do outro
lado da linha identifica seu verdadeiro nome, idioma russo.
Mikhail
– “Mara” eu não recebi o meu dinheiro!
Mara (Sofia) –Eu disse para você não ligar neste número!
Mikhail
–Mara, você disse que o dinheiro cairia hoje na minha conta bancária e não há
nada lá.
Mara
–Mikhail, não me chame assim pelo celular! Seu idiota, eu estou nos Estados
Unidos, nunca viu falar do fuso horário, eu depositei hoje seu dinheiro,
com certeza já é noite aí em Omsk, as agências devem estar fechadas. Amanhã de
manhã você estará cinco dígitos mais rico.
Aqui é identificada a verdadeira
identidade de Mara ao investigador que Arnold Anderson tinha posto atrás dela,
este foi o último trecho da fita que este investigador gravou, os papéis e os
Cd’s achados juntamente com as fitas eram fotos de Mara em alguns lugares em
Nova Iorque sem muito comprometimento.
Segundo uma redação deste investigador, ela era muito cautelosa ao se encontrar com pessoas. Havia também todas as
falas escritas em documentos na sua língua padrão e as traduções, e uma ficha
completa de Mara Votovisck Tutov e suas ações criminosas pela Ásia e Europa.
O
Investigador de Anderson havia feito um ótimo trabalho, grampeando Mara enquanto
ela se passava por Sofia. Através das gravações e os documentos encontrados, Kim
tinham muitos pontos a investigar, pelo menos eram três enigmas. Primeiro, de
quem seria a voz da pessoa que grampeou Mara? Segundo, quem era “Noah” o qual ela
se dirigia com grande respeito? Era um nome ou codinome como fez com o nome
Sofia? E terceiro, quem era este aliado americano que Mara iria mencionar?
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