Sinopse

Dois de Novembro traz um conto fictício de investigação, que fará o leitor realizar uma viagem pelo século XX, conforme os enigmas são desvendados. Procurei realizar um equilíbrio entre a ficção e a realidade, relacionando personagens com grandes personalidades do século passado até a atualidade. Normalmente o leitor verá fotografias ilustrativas dessas personalidades e também de símbolos das organizações que atuam ou atuaram nesse período. Qualquer evento futuro que venha a ocorrer no mundo que se iguale às fábulas desse livro não passará de mera coincidência!

Capítulo 11; Arquivos do Grampo

ARQUIVOS DO GRAMPO
        
         7 de agosto, E.U. A.

            Depois de telefonar para Versago, Kim foi analisar mais uma vez todos os documentos achados na casa do governador, a fim de ter certeza do que encontrara. Quando entrou na sala de arquivos, encontrou Demarco ao telefone celular já desligando, as últimas palavras que foram ditas por ele foi “Eu te amo, tchau”. Kim não se conteve em comentar.

         Kim –Namorada?

         Demarco –Não, era minha mãe, eu sempre ligo para ela.

         Calados por um instante, Kim quebrou o silêncio chamando Demarco para analisar os documentos e as fitas de áudio que encontraram na casa de Arnold Anderson. Todo o conteúdo parecia já ter sido resumido, pois eles tinham pouco mais de uma hora de áudio para ouvir, de diversas conversas de Mara com outros nomes.

         Kim –Vamos ouvir a voz de Mara mais uma vez!

         Colocando assim as fitas para tocar, sempre antes de uma conversação de Mara, era dito a data e a localidade que se passara, provavelmente gravada por aquele que grampeou Mara, ou Sofia, na época.

         -Primeiro de março, escritório de Arnold Anderson na prefeitura, foi captada uma ligação internacional para o Cazaquistão no idioma inglês de Sofia...

         Sofia –Alô “Noah...”  As coisas estão indo tudo como planejado, nunca estivemos tão próximos dessa grande realização.

         Noah –Entendo, finalmente eu terei minha tão esperada vingança contra o demônio da guerra, eu, com meu rifle gostaria de dar-lhe um tiro!

         Sofia –Compreendo seu ódio “Noah”, porém, não devemos antecipar o que já tem data fixa para acontecer, depois deste dia nossa organização sem dúvida revolucionará a história.

         Noah –Certamente...

         Sofia –Estou ligando pra dizer que está tudo preparado para sua visita.

         Noah –Obrigado “Sofia”.

         Quem seria “Noah”? pensava Kim. Entendia-se nesta gravação que Mara não era a mentora de tudo que ocorrera até então, ela estava seguindo ordens deste homem, “Noah”.

         -Dois de março, outra ligação foi feita por Mara dum telefone público, na qual não foi possível captar o áudio do outro lado da linha no idioma russo.

         Sofia –Eu disse para você não ligar neste número de celular, eu estou nos Estados Unidos e aqui há muita incidência de grampos telefônicos...
         ...

         Sofia –Não interessa! Quero saber como foi com os egípcios da Al Gama’a Al Islamyya?
         ...

         Sofia –Muito bem... Pegue os Kalashnikov e aguarde o chamado do Deverreaux para realizar a troca.

          Não era possível ouvir, mas voz do outro lado da linha era de Mikhail. Era ele em uma de suas transações criminosas, como capacho de Mara.

         -Dois de março, logo após a ligação para Mikhail, Sofia liga de seu celular para o governador Anderson, no idioma inglês.

         Sofia –Arnold...

         Anderson –Você de novo! Já disse que estou ficando cheio destes seus joguinhos, quem você quer ferrar do meu partido?

         Sofia –Já disse que ninguém, eu tenho planos e tenho meios para realizá-los meu amorzinho, e você é apenas um degrau onde eu piso para alcançar o que quero.

         Anderson –E eu sou seus meios, você está querendo dizer...

         Sofia –Já disse, você é apenas um degrau. Preciso que entre em contato com Gerson Deverreaux, em St-Etiene, autorizando ele a realizar a transação com Mikhail, apenas diga isto a ele.

         Anderson –Desde que lhe conheci você tem me forçado a fornecer informações desta fábrica de equipamentos bélicos na França, então sofremos recentemente esses ataques atribuídos ao ETA.

         Sofia –Euskadi Ta Askatasuna? Não... Jamais estaria envolvida com tais criminosos.

         Anderson –Se eu descobrir que você tem alguma coisa haver com tais atentados, não pensarei duas vezes antes de entregá-la as autoridades, mesmo sob suas ameaças.
        
         Sofia –Arnold... Arnold... Você não está me investigando está?

         Anderson -...

         Sofia –Okay, ligue para Gerson e dê a ordem.

         Esta conversa gravada entre Mara e o governador Anderson foi tudo o que ele próprio falara para Kim e Demarco no interrogatório. Este poderia ser o seu álibi, caso fosse resgatado. A fita continuava a rodar.

         -Vinte e cinco de março, Sofia faz outra ligação internacional para o Cazaquistão do escritório de Anderson, na prefeitura, para um homem chamado Noah, no idioma dari.

         Sofia –Alô, “Noah”... (Em Inglês)

         Noah –Em dari, por favor.

         Sofia –Gostou da América?

         Noah –Pedi-lhe para falar em dari para não ter que usar este idioma imundo ao conversar com você, Sofia.

         Sofia –Vai dar tudo certo, chegamos aonde chegamos sem levantar nenhuma suspeita. Estamos trabalhando há anos neste plano, e passo a passo, iremos ferir este maldito gigante e senhor da guerra.

         Noah –Você me disse que conseguiu um aliado inusitado e de alta patente aí na América que poderá agilizar nosso plano.

         Sofia –Exato, só que não posso falar dele por telefone, nem seu nome nem o cargo que ocupa, só que ele já fez muito pela gente e quer fazer parte disso, mesmo sendo americano.

         Noah –Não confio em americanos!

         Sofia –Não se preocupe, ele está do nosso lado.

         Noah –Eu confio em você.

         Cada vez mais surgiam pessoas e peças neste quebra-cabeças. Kim e Versago tinham de prestar devida atenção em cada detalhe.

         -Quinze de Abril, o celular de Sofia toca de repente quando ela estava a sós com o governador Anderson, discutindo algo em seu escritório na prefeitura. Sem se aperceber, ela não olha no identificador de chamadas e atende. O homem do outro lado da linha identifica seu verdadeiro nome, idioma russo.

         Mikhail – “Mara” eu não recebi o meu dinheiro!

         Mara (Sofia) –Eu disse para você não ligar neste número!

         Mikhail –Mara, você disse que o dinheiro cairia hoje na minha conta bancária e não há nada lá.

         Mara –Mikhail, não me chame assim pelo celular! Seu idiota, eu estou nos Estados Unidos, nunca viu falar do fuso horário, eu depositei hoje seu dinheiro, com certeza já é noite aí em Omsk, as agências devem estar fechadas. Amanhã de manhã você estará cinco dígitos mais rico.

         Aqui é identificada a verdadeira identidade de Mara ao investigador que Arnold Anderson tinha posto atrás dela, este foi o último trecho da fita que este investigador gravou, os papéis e os Cd’s achados juntamente com as fitas eram fotos de Mara em alguns lugares em Nova Iorque sem muito comprometimento.
      
         Segundo uma redação deste investigador, ela era muito cautelosa ao se encontrar com pessoas. Havia também todas as falas escritas em documentos na sua língua padrão e as traduções, e uma ficha completa de Mara Votovisck Tutov e suas ações criminosas pela Ásia e Europa.

         O Investigador de Anderson havia feito um ótimo trabalho, grampeando Mara enquanto ela se passava por Sofia. Através das gravações e os documentos encontrados, Kim tinham muitos pontos a investigar, pelo menos eram três enigmas. Primeiro, de quem seria a voz da pessoa que grampeou Mara? Segundo, quem era “Noah” o qual ela se dirigia com grande respeito? Era um nome ou codinome como fez com o nome Sofia? E terceiro, quem era este aliado americano que Mara iria mencionar?

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