FUSO HORÁRIO
7 de agosto, E.U.A.
De alguma forma, Mara sabia que horas
atacar e quando atacar para capturar o governador Arnold Anderson. O delegado
de polícia John Stevens havia morrido no atentado, e o agente disfarçado da CIA estava gravemente ferido. Ele era a única chave para detalhar como foi a ação
dos terroristas.
Na mídia, eram divulgadas muitas especulações, até de atentado
político contra a vida de Arnold Anderson a golpe de estado. Kim e Demarco
conseguiram as fitas e os documentos que o governador dissera que estavam
guardados no cofre, em seu quarto. Por volta das dez da manhã, eles tentaram analisar
todos os documentos obtidos na casa do governador, mas, o cansaço era mais
forte que eles, e optaram por descansarem.
8 de
agosto, Cazaquistão.
Do outro lado do mundo, Versago viajou
até Petropavlosk, próximo da suposta junta militar clandestina. Ele montou um
centro de monitoramento para estudar tudo o que era realizado dentro daquele
lugar. Versago e Greg tinham todo tipo de tecnologia a seu favor, imagens via satélite
com infravermelho, visão noturna com um zoom capaz de focar até uns piolhos na
cabeça de alguém. O fuso horário fazia Versago estar onze horas e meia no tempo
à frente de Kim, que estava nos Estado Unidos. Assim ele entrava num novo dia
primeiro que ela.
Já era zero horas do dia oito, e durante
os dias seis e sete que passaram aqui em Petropavlosk, a única coisa que fizeram
foi monitorar e arquivar provas que indicassem a ameaça dentro do território cazaque, e pelo nível organizacional desta suposta junta militar clandestina, todos que
estavam envolvidos a classificavam como uma célula terrorista.
Já tinha sido marcada
uma conferência com os principais representantes do presidente e outras
organizações atuantes no território cazaque na manhã do dia oito, assim, para
decidir que ações seriam tomadas para eliminar aquilo que chamavam de câncer.
7 de agosto, E. U. A.
Depois de umas cinco horas de sono, Kim acordou na tardinha daquele dia, e a primeira coisa que fez foi ouvir e analisar todos os
documentos achados na casa do governador. Porém, ela caiu em si e perguntou no
seu íntimo:
“Se Mara queria matar Arnold Anderson, por quê o teria sequestrado?!”.
Dirigiu-se então à sala do diretor da
agência da CIA onde estava, e perguntou-lhe:
Kim
–Que medidas estão sendo tomadas para capturar Mara?
Paul Ernest, diretor da CIA, era um
homem arrogante para com os que estavam abaixo de seu cargo na agência, porém, era muito razoável para investigadores de fora e outros que tomam a dianteira, e
respondendo a Kim, disse:
Ernest
–Enquanto descansava, estávamos discutindo a respeito de divulgar na mídia
alguns fatos e a foto de Mara, omitindo, é claro, os detalhes do que está
ocorrendo. Isso talvez nos ajudará a capturá-la.
Kim
–Positivo. Porém, iremos divulgar apenas o necessário, sem detalhes, que se
trata de tráfico internacional de armas a qual o governador estava envolvido e
Mara, sua cúmplice, o resgatou esta manhã de sua escolta. Vamos colocar ambos
como foragidos.
Assim Kim foi até a sala de áudio ouvir
e analisar as fitas e os documentos.
8 de agosto, Cazaquistão.
![]() |
*OSCE Organization for Security and Co-operation in Europe
(Organização para a Segurança e Cooperação na Europa)
|
Após uma noite de sono, Versago acordou na manhã daquele
dia e se preparou para ir até o encontro com os representantes do presidente
cazaque, e discutir a respeito do que estavam chamando de câncer.
O encontro
reuniu pessoas importantes de todo o Cazaquistão, Vassili, um agente da sede
da Organização para a Segurança e
Cooperação na Europa (OSCE*), Chevtchenko, porta-voz direta do presidente, e Roy
Dostoievski diretor da inteligência cazaque,
KNB.**
Foi discutido tudo, desde o armazenamento de armas até a possibilidade de haver armas nucleares, e o
tipo de ação que poderia ser tomada.
Versago
–Bom senhores, nos últimos dois dias, tivemos todo o apoio do seu governo e da
Interpol para analisar e arquivar as ações deste grupo que encontra-se dentro
do território cazaque. Não sabemos a quem ele realmente atribui, Jihad Islâmica, Abu Nibal, Hamas ou Al Qaeda
etc, não sabemos... Porém, uma fugitiva internacional muito procurada pela KGB,
FSB e nós, da Interpol, Mara Votovisck Tutov, tem uma ligação direta com este
lugar, embora saibamos que ela esteja nos Estados Unidos agora.
![]() |
| **KNB Komitet Natsional'nogo Bezopasnosti (Comitê de Segurança Nacional) |
Vassili
–Sim... Sabemos, nós lemos seus arquivos.
Chevtchenko –Mas, ela também já teve ligações com todos estes grupos terroristas
que mencionou, e outros mais.
Versago
–Afirmativo, porém, não temos como saber se ela uniu-se com algum deles, por
que não há símbolos que poderiam nos ajudar a identificar esta possível aliança,
exceto pela bandeira da Rússia, que está gravada na lateral de alguns de seus
caminhões, mas isso não nos diz nada.
Chevtchenko –E que tipo de atividade eles realizam dentro deste lugar, até aonde
você notificou?
Versago
–Greg irá mostrar a vocês através das imagens gravadas via satélite, o que
descobrimos.
Greg estava sentado em frente ao seu
laptop, prestando avidamente atenção à conferência, e ao mesmo tempo navegando
na Internet em busca de notícias. Ele se levantou, foi até o projetor que estava
conectado ao laptop e o ligou, começando então a mostrar as imagens gravadas pelo
satélite.
Greg
–Senhores, estas imagens foram gravadas entre os dias seis e sete de agosto. A princípio, vemos dois abrigos e uma torre de vigilância dentro duma área cercada
com arame farpado, e um aviso mostrando ser eletrificada. Foram contados
cinquenta e dois soldados em toda a área capitada durante o revezamento de três
turnos, todos usando o uniforme do exército cazaque com tocas ninjas brancas, e
armados com fuzis Kalashnikov e FAMAS.
Versago
–Acreditamos que este poder de fogo é devido a algumas transações criminosas de
Mara através de Mikhail Usvarovisck e o francês Gerson Deverreaux, ambos mortos
numa ação da FTF há quatro dias, cuja a investigação nos trouxe até aqui!
Dostoievski –Entendo...
Versago
–Greg, mostre-lhes agora as imagens em infravermelho.
Greg
–Aqui nós temos todas as imagens desta instalação com mais ou menos vinte
soldados de vigilância, só que quando eu ligo o infravermelho vejam o que
acontece.
Greg ligou a visão infravermelha e
de repente uma surpresa.
Chevtchenko –Huh...
Vassili
–O que isto significa?
Dostoievski –Mm... Todos estes pontos são o calor gerado pelos corpos dos soldados
e pessoas que estão neste lugar.
Versago
–Exatamente... O simples fato de nós não os vermos com as imagens normais é que
eles devem estar em uma espécie de abrigo subterrâneo.
Dostoievski –Como o abrigo antiaéreo do palácio do parlamento em Bucareste, na
Romênia.
Versago
–Positivo, neste sentido não sabemos qual é a real ameaça que eles representam,
mas, não é pouca, eles devem esconder algo muito ameaçador nestas instalações
subterrâneas. É aonde nós devemos ser bem criteriosos ao tomar uma ação.
Dostoievski –Embora seja um abrigo antiaéreo, não seria uma boa ideia fazer o uso
de tal força.
Vassili
–Você quer dizer que não podemos simplesmente realizar uma ofensiva aérea e
destruir todo o local sem deixar vestígios!
Versago
–Concordo com Roy, não seria uma atitude muito sensata, como já disse, não sabemos que tipo de ameaça representam,
talvez eles possam possuir armas de destruição em massa como ogivas nucleares. Tal atitude poderia detonar uma ogiva que estivesse neste lugar, assim
provocando um efeito colateral enorme, pondo em risco a vida de muitas pessoas
que vivem nas redondezas, como em Petropavlosk.
Chevtchenko –E se realizarmos uma evacuação das cidades próximas a esta
instalação?
Versago
–É uma opção, porém, se tal mudança for notada pela instalação, talvez eles
possam tomar uma medida imediata que poderá pegar-nos desprevenidos.
Dostoievski –É realmente muito arriscado realizar uma
evacuação em massa, chamaria muita atenção, inclusive da mídia.
Vassili
–E o que o senhor nos sugere, Versago?
Versago
–Os soldados estão vestidos com o uniforme do exército cazaque e encapuzados
com tocas ninjas para se protegerem do frio, podemos realizar uma infiltração secreta
e espionar.
Dostoievski –Eu tenho muitos homens treinados para uma operação como esta, posso
nomear um agente da KNB para a missão!
Versago
–É realmente admirável que a KGB, FSB, KNB e OSCE unam forças com a
FTF da Interpol para combater o câncer do terrorismo e o tráfico de armas, senhor Dostoievski. Só que eu gostaria de ir nesta missão.
Dostoievski, meio surpreso com a coragem
de Versago, perguntou:
Dostoievski –Você já fez isso antes?
Versago
–Já, em outras ocasiões em Kosovo e na Albânia.
Dostoievski havia gostado da ideia logo
de princípio, só que com a prontidão posta por Versago, recuou da ideia, tentando
fazer ele rever sua decisão:
Dostoievski –Senhor Versago, mas a situação é diferente, você tem certeza de que
quer ir?
Versago
–Sim senhor, coronel Dostoievski. Em Kosovo, me passei por soldado do UÇK quando eu trabalhava para a OTAN. Sei muito bem as diversas situações que
passarei como espião, e além do mais, eu e Greg passamos os últimos dois dias
estudando os movimentos e atuações dos vigilantes desta suposta junta.
Então Chevtchenko
interrompeu o diálogo entre Versago e Dostoievski, apoiando o agente da FTF.
Chevtchenko –Bem, então fica assim, você realmente tem as credenciais para a
missão, já se passou até por um soldado do Ushtaria Çlirimtare Kombëtare.
Assim, foi tudo definido, ao anoitecer
deste dia oito Versago iria se infiltrar na instalação militar dos terroristas
para investigar que tipo de ameaça eles realmente representavam.
7 de agosto, E. U. A.
O diretor da CIA, Paul Ernest, apareceu numa
conferência pública com muitos repórteres para se pronunciar a respeito dos
dois últimos eventos ocorridos envolvendo o governador Arnold Anderson.
Um porta-voz antes de Ernest entrar, o
anunciou, dizendo:
-Paul Ernest irá dar explicações sobre
os últimos eventos envolvendo o governador Nova-iorquino Arnold Anderson, não
serão feitas perguntas, será apenas uma conferência para esclarecer tais eventos
decorridos dos dias seis e sete.
Ernest
–Boa noite... Nas últimas vinte e quatro horas, tivemos dois grandes fatos que
resultaram em mortes em Nova Iorque. No primeiro, o que vocês da mídia chamaram
de atentado terrorista contra a vida do governador Arnold Anderson, na noite do
dia seis, na verdade foi uma ação conjunta de agentes que investigavam um
suposto envolvimento dele com o tráfico. Esses agentes, ao dar voz de prisão a
Anderson, fizeram com que ele revidasse, provocando um confronto entre seus
seguranças e os nossos homens, assim resultando naquilo que vocês passaram a
chamar de atentado. O governador já estava sendo investigado há algum tempo, e só
agora conseguimos juntar provas suficientes para levá-lo ao tribunal. Pressionado, talvez fizesse com que ele tomasse tal atitude contra nossos
agentes. Depois de detido, ele foi para o mais próximo departamento de polícia
prestar depoimento, só então seria encaminhado para o estado da Virgínia, no
prédio da CIA, por motivos de segurança. Quando meus agentes chegaram em sua
residência, na noite de ontem que resultou no confronto, o flagramos realizando
negócios com uma traficante internacionalmente procurada pela Interpol, Mara
Votovisck Tutov, que conseguiu fugir após a operação. No segundo evento
decorrente na manhã deste dia, tivemos um acidente seguido de tiroteios no
veículo que transportava o governador para o aeroporto, onde havia um jato
esperando para levá-lo até a CIA. Como eu já disse, tomamos medidas de segurança
para transportar o governador, despistando vocês da mídia e Mara que está à
solta, porém, Mara mostrou estar a um passo à nossa frente, realizando um resgate, atacando o veículo que transportava Anderson, matando o delegado de
polícia John Stevens, que estava no volante e ferindo gravemente nosso agente
que colaborava na escolta. Sendo assim, nós temos dois foragidos da justiça,
Mara Votovisck Tutov e o governador Arnold Anderson, e estamos à disposição de
qualquer informação que leve até estes dois fugitivos. Obrigado pela atenção de
vocês.
8 de
agosto, Cazaquistão.
Quando estavam discutindo alguns
detalhes da missão de Versago, Greg, que estava navegando na Internet, interrompeu a conferência chamando a atenção para o seu laptop, falando sob a
conferência feita pelo diretor da CIA nos Estados Unidos.
Greg
–Senhores... Senhores... Vejam isto!
Todos ouviram atentamente tudo que era
dito em inglês pelo diretor Paul Ernest da CIA, lendo uma legenda traduzindo
tudo para o alfabeto cirílico, embora Versago não precisasse, como os demais.
Alguns minutos depois de assistirem a
pronunciação de Ernest, Kim ligou para Versago:
Kim
–Alô, Versago?
Versago
–Sou eu, Kim. Vi a pronunciação do diretor da CIA pela Internet, foi você quem
idealizou?
Kim
–Afirmativo, fui eu, a mídia aqui estava especulando muita coisa e para não
estragar a investigação passei para Ernest o que teria de dizer nesta
pronunciação.
Versago
–Eu não estava informado desta tentativa
de resgate de Mara.
Kim
–Desculpe-me, pretendi contatá-lo, só que estava muito cansada e acabei
adormecendo e depois não lembrei de informá-lo. Também não foi bem uma
tentativa de resgate como foi dito, acreditamos que foi um sequestro.
Versago
–Mm... De acordo com os acontecimentos aí, concordo com você em levar parte da
investigação ao público, e fechar o cerco contra Mara.
Kim
–Também tive acesso a alguns documentos importantes que você tem de dar uma
olhada, não dá para falar disso pelo telefone, precisamos nos encontrar logo!
Versago
–Okay, depois do dia de hoje irei para os Estados Unidos ajudá-la. Kim que
horas são aí, neste exato momento?
Kim
–São quase nove da noite. Por quê?
Versago
–Aqui é mais de oito da manhã do dia oito de agosto, quero dizer que estou mais
de onze horas na sua frente devido ao fuso horário. Hoje à noite, eu irei entrar
na instalação de Mara ou amanhã de manhã no horário daí.
Kim
–Você tem certeza disso?
Versago
–Sim. Eu irei usar o mesmo uniforme que eles, com uma toca ninja, será apenas
para espionagem e coleta de informações para assegurar-nos que o nosso ataque não
seja surpreendido por um efeito colateral.
Kim
–Entendo... Tome cuidado.
Versago
–E você, lembre-se sempre de me contatar para cada coisa nova que acontecer, eu
jurava que você era o agente que estava dentro do carro escoltando Anderson, até
ligar.
Kim
–Você se importa mesmo.
Versago
–Nunca lhe contei, só que já perdi um parceiro a qual tive que dar-lhe altas
doses de morfina e assistí-lo morrer sem dor. Foi uma péssima experiência.
Kim
–Já sei desta historia, Demarco me contou.
Sorrindo Versago
continuou...
Versago
–Este Demarco! Kim, vou desligar preciso me preparar para a missão, até hoje à noite, depois da missão...
Kim –Okay,
Até amanhã de manhã.


Nenhum comentário:
Postar um comentário