Sinopse

Dois de Novembro traz um conto fictício de investigação, que fará o leitor realizar uma viagem pelo século XX, conforme os enigmas são desvendados. Procurei realizar um equilíbrio entre a ficção e a realidade, relacionando personagens com grandes personalidades do século passado até a atualidade. Normalmente o leitor verá fotografias ilustrativas dessas personalidades e também de símbolos das organizações que atuam ou atuaram nesse período. Qualquer evento futuro que venha a ocorrer no mundo que se iguale às fábulas desse livro não passará de mera coincidência!

Capítulo 5; Gênese do Caos


O fim não virá mais com um estrondo e um clarão da explosão de bomba atômica, mas sim por uma simples tosse...





GÊNESE DO CAOS

2 de Novembro de um ano qualquer...

      Um homem está sentado no banco dos réus, enfrentando a corte marcial das forças armadas americanas. O mundo está ansioso deste julgamento, e centenas de emissoras estão apontando o foco de suas lentes para o tribunal, do lado de fora.

       Lá dentro, o meritíssimo juíz diz:

    – Christopher Versago Axel, você está sendo acusado de conspiração contra o governo americano, espionagem e colaboração com terroristas nos atentados em Nova Iorque, em agosto do ano passado.

      Este é o homem que matou Nainenejad Abdo Rhoemer, e findou uma das maiores organizações terroristas que se erguera às ocultas. Por que ele está no banco dos réus? Para entender tal situação, temos que contar desde o início de tudo, há pouco mais de um ano.

16 de Julho, um ano atrás...

       Christopher Versago Axel é um agente de campo da Interpol, nascido em Nova Jersey, Estados Unidos. Por saber falar quatro idiomas fluentemente, Inglês, Espanhol, Francês e Russo, foi chamado para se tornar agente de investigações da Interpol, e passou a trabalhar no setor que estuda as atividades terroristas na Europa, Ásia e Oriente Médio, FTF.
FTF - Fusion Task Force.
(Fusão das Forças Tarefa)
         
      Nos últimos anos, a Interpol arquivou alguns processos investigativos de seus agentes de campo. Entre eles, três atentados atribuídos ao grupo ETA aos equipamentos de juntas militares francesas; uma tentativa de testes de mísseis militares, por parte da Coréia do Norte; o fornecimento de armas para os piratas da Somália, além do fácil acesso de equipamentos bélicos militares, por parte dos grupos terroristas que juntos alimentam o ódio contra Israel, na eterna causa Palestina.

        Embora a Interpol tenha uma política de contar com agentes de seus próprios países, Versago atuava na Rússia europeia, e em toda a região dos Bálcãs, investigando o financiamento de armas para terroristas. Ele contava com uma parceira russa, Kim Tokarev, que exercia o mesmo cargo que ele na Interpol.

         Ambos, no dia dezesseis de julho foram convocados até a sede da FSB, no quartel general em Moscovo, na Rússia, para colaborarem na investigação dum possível esquema de tráfico de armas, instigado por um tenente russo.

        No idioma russo, já no Quartel:

         Versago –O que temos?

         Gregory Vladivostok (Greg), um agente da FSB com algumas fotos e papeis, responde a Versago:

Hosni Mubarak
Ex-presidente do Egito.
  Greg –Mikhail Usvarovisck, tenente do nonagésimo terceiro batalhão, da junta militar em Moscovo. Ele está sendo observado já há algum tempo, desde o levante árabe no Egito que derrubou o ditador Mubarak em 2011. Sabemos que nesse período, ele tem fornecido fuzis modelos Kalashnikov ao grupo terrorista Al Gama’a Al Islamyya.

         Versago –Não é da própria junta?

     Greg –Não... Nós saberíamos, porque há um controle total desse arsenal, e nós controlamos os números de série etc... E no nonagésimo terceiro, não está faltando nenhuma arma.

         Kim –Desvio dos equipamentos bélicos russos sempre foram um problema para nós.

         Greg –Pois é... com o aumento do tráfico de armas pelas máfias russas, que ascenderam através dos generais após a guerra fria, passamos a cadastrar e rastrear toda a numeração dos nossos equipamentos bélicos. Ainda sim, essas máfias sempre dão um jeitinho de driblar a fiscalização nas fronteiras.

         Versago –Tudo bem, temos de monitorá-lo vinte quatro horas por dia, ele com certeza nos levara até seu fornecedor.

         Escutas telefônicas foram instaladas na casa de Mikhail, que passou a ser vigiado de dia e de noite, sem descanso.

Dois dias depois no quartel.

         Versago –Não temos nada ainda?

       Greg –Não, ele é cauteloso, só que descobrimos que ele leva uma vida dupla, sabemos que tem uma outra família na Bielorrussia, na cidade de Minsk, além da esposa aqui em Moscovo.

     Versago –Acredito que ele não deve estar precisando de dinheiro no momento. Procure quebrar seu sigilo bancário, e veja qual é o tamanho do seu capital relacionado com seu salário mensal e tempo de serviço já prestado. Descubra também seus gastos com sua amante.

         Particularmente, Kim chamou Versago de canto e perguntou:

        Kim –Você vai usar aquele velho truque novamente, certo?

        Kim conheceu Versago há pouco mais de dois anos, na sede da Interpol em Lion, na França. Ambos construíram uma amizade forte, e ela conhecia bem seus métodos de solução de casos, como o que ele estaria para realizar.

         A FTF, setor de investigação que estuda as atividades terroristas onde trabalham pela Interpol, foi criada no rescaldo dos atentados de onze de setembro. Seus objetivos básicos são:

# Estabelecer bases de dados à secretaria geral da Interpol, quanto a organizações terroristas e seus métodos de filiação;

# Identificar os membros, hierarquia, áreas de operação, e os crimes desse grupo;

# Desenvolver pacotes baseados na análise dos dados coletados, para facilitar a desorganização e desmantelamento das entidades criminosas que desempenham um papel central no financiamento ou apoio a atividades terroristas.

         Esses são os objetivos básicos dos agentes que trabalham no setor da F.T.F., coletar informações e fornecer ao escritório geral da Interpol em Lion, na França.

         Quando necessário, os agentes numa ação conjunta também podem efetuar prisões e se infiltrar nas organizações criminosas para desmantelá-las.
         
           O que Versago pretendia era usar números binários com programas de computador para zerar a conta de Mikhail. Na verdade, a conta não estaria zerada, todo o dinheiro seria congelado, e os números binários mostrariam uma conta sem fundos quando Mikhail tivesse acesso a um extrato de sua conta bancária.

           Não demorou muito tempo, e Mikhail caiu no plano de Versago. Ele foi à sua agência em busca de orientação sob o que havia acontecido com sua conta. A atendente, já orientada, explicou que houve um problema no servidor que desorganizou a conta de muita gente, mas que o problema já estava sendo solucionado. 

       Uma semana mais tarde, já em agosto daquele ano, Mikhail como tenente do exército solicitou um encontro com o gerente do banco, para resolver logo o problema. O gerente era nada mais nada menos que o próprio Versago, disfarçado.

         A conversa que tiveram foi desesperadora para Mikhail.  Versago, com mentiras, deixou claro que problema talvez não fosse solucionado tão rápido, e Mikhail, já nervoso, abandonou a conversa exclamando que o “gerente” e sua agência eram incompetentes, que um problema desses jamais poderia acontecer, e ameaçou processar a agência bancária.

         Com isso o objetivo de Versago foi alcançado. De um telefone público, Mikhail fez um telefonema que foi ouvido por todos que o estavam monitorando. A Ligação foi para uma mulher, e no idioma russo, eles passaram a conversar:

         -Alô...

         Mikhail –Alô, oi, eu preciso fazer mais um trabalho.

         -Você mesmo não disse que queria parar, que faria apenas só aqueles trabalhos pra nós?!

         Mikhail –Sim, só que uma série de eventualidades estão me forçando a fazer de novo.

         -Eu sabia, todo homem tem um preço, e você quer mais.

         Mikhail –Não é isso, apenas estou em apuros.

         -Okay, siga o procedimento.

         Do quartel general em Moscovo, Versago deu ordens para localizar de onde Mikhail ligou, e pôs agentes de prontidão para efetuar uma possível detenção. Disse também para descobrirem de quem era a voz do outro lado da linha.

         Uma hora depois, ele conseguiu os resultados.

         Kim –Versago, eu tentei localizar a chamada, só que eles devem possuir um sistema de anti-localização que é criptografado, e por isso é muito difícil de rastrear. Eu talvez demoraria dias para achar a sua origem, mas se eu triangular o sinal, talvez seja mais rápido.

         Versago –Faça isso.

         Greg –Eu fiz uma comparação das cordas vocais da mulher na ligação com as criminosas mais procuradas da Interpol ligadas a esse tipo de crime, e descobri que a voz do outro lado da linha é de Mara Votovisck Tutov.

         Versago –O que temos sobre ela?

         Greg –Puxei a ficha dela, e pelo que se sabe ela vem efetuando este tipo de crime desde 1998, quando fugiu da detenção feita pela polícia na Bielorrússia. Desde então, ela se tornou uma das fugitivas mais procuradas pela KGB no país. Aqui na Rússia, também tem uma certa fama, está na lista das mais procuradas pela FSB.

         Kim –E quais foram as atividades dela desde 1998?

         Greg –Ela deve ter conhecido o mundo do crime organizado através de seu pai, também traficante de armas, morto em Kosovo em 1999. O detalhe é que o pai dela também era um general corrupto! Em 2000, se sabe que ela financiou o grupo extremista Hezbollah e Abu Nidal com fuzis Kalashnikov AK-47, os mesmos fuzis que Mikhail vendeu ao grupo Al Gama’a Al Islamyya, no levante árabe. No ano de 2001, informações levaram a FSB a planejar uma interceptação duma transação que estaria ocorrendo entre Mara e terroristas da Al Qaeda, no Cazaquistão. Onze terroristas morreram na operação, porém, Mara conseguiu fugir, e até então não se sabe mais nada sobre ela e seu paradeiro.

Fuzil Kalashnikov modelo AK-47 da indústria Russa.
         Versago –Okay, sabemos que ela não deixou seu modo de vida anterior nesses anos todos. Para não ser localizada, deve ter usado terceiros para realizar seu trabalho, como no caso de Mikhail. Greg...  Quem forneceu a informação que levou a FSB a interceptar a transação de Mara em 2001?

        Greg –Não sabemos... Foi logo depois do rescaldo de onze de setembro, onde a Al Qaeda ficou mundialmente conhecida pelos atentados, houve muitas informações que levaram a vários lugares cujo informante permanecia sempre no anonimato.

     Kim –Versago, vamos informar a sede em Lion sobre o paradeiro de Mara?

       Versago –Ainda não, tenho muito pouco para Interpol, eu quero todas as escutas e lentes focadas em Mikhail nas próximas horas que serão decisivas para ele, quem sabe vamos finalmente deter Mara nesta operação.

       Christopher Versago Axel era um homem muito inteligente, tinha muitas habilidades de investigação para solução de crimes, e ele já havia resolvido muitos outros crimes antes desse caso. Só que este homem era muito orgulhoso, se expressava com um tom arrogante. 

    Seu currículo o apresentava como extremamente potente em campos investigativos, e no campo de batalha, tinha um potencial bem equilibrado. Mas seu gênio arrogante acabava corrompendo seus métodos de ação, tornando-o uma pessoa cheia de defeitos. 

    Ele sempre gostava de entregar suas investigações a seus superiores quase solucionadas. Depois do trabalho, sempre se reunia com seus amigos para fumar um cigarro e comer uma pizza, comemorando a desarticulação dos criminosos que combatera.

      Toda história tem seu herói, e ele sempre é perfeito, educado, etc... Aqui não. Versago era um ótimo profissional, mas seu orgulho o fará dele inimigo de quem procura defender.

Um comentário:

  1. Quando no inicio do capitulo 5 citei:

    "2 de novembro de um ano qualquer..."

    Foi realmente para explorar melhor o título do livro, a não menção do ano que se passa a história é para estimular o leitor a imaginar que está vivenciando uma dramatização atual!

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