Sinopse

Dois de Novembro traz um conto fictício de investigação, que fará o leitor realizar uma viagem pelo século XX, conforme os enigmas são desvendados. Procurei realizar um equilíbrio entre a ficção e a realidade, relacionando personagens com grandes personalidades do século passado até a atualidade. Normalmente o leitor verá fotografias ilustrativas dessas personalidades e também de símbolos das organizações que atuam ou atuaram nesse período. Qualquer evento futuro que venha a ocorrer no mundo que se iguale às fábulas desse livro não passará de mera coincidência!

Capítulo 15; A Voz (Parte 2)

A VOZ
(Parte 2)

        
         8 de agosto, Cazaquistão.

         Um homem com fortes dores de cabeça acorda meio desnorteado, e quando olha à sua volta, percebe que está sentado numa privada, dentro de um banheiro. Ele sente um gosto estranho, e levando a mão aos dentes, passa seus dedos nos lábios, passa seus dedos nos lábios e quando olha, percebe que estão manchados de sangue. Então, este se lembra de que havia sido atacado por outro vigilante.

        Ao averiguar seu cartão de acesso, percebe também que havia sido roubado. Saindo desesperadamente, e indo em direção à recepção, começou a falar tudo para os vigilantes ali. O alarme da Colmeia não demoraria muito para soar.

         Versago, depois que subiu no elevador de cargas que dava acesso à antena, acabou saindo no segundo abrigo térreo. Lá era onde estava o gerador de energia que sustentava toda a Colmeia, e suas cercas eletrificadas. Ele ainda tinha uma última bomba PEM. Pensando em danificar o sistema elétrico da colmeia, contatou a central.

         Versago –Coronel, em quanto tempo os helicópteros estarão aqui?

         Dostoievski –Dentro de uns quinze minutos, eles estão levantando vôo exatamente agora.

         Versago –Positivo, vou armar uma PEM próxima ao gerador de energia da Colmeia ajustando o cronômetro para quinze minutos. Assim, quando os helicópteros vierem, não haverá mais energia, isto facilitará minha fuga.

         Dostoievski -...

         Versago –Coronel, perdoe-me por ter desacatado uma ordem direta quanto aos homens na sala de mísseis. Eu tenho esta característica de querer resolver tudo na força.

         Dostoievski –Não se preocupe com isso, concentre-se na sua fuga agora.

         Assim, Versago armou a bomba PEM próxima ao gerador, ajustando seu cronômetro para quinze minutos. A sala do gerador ficava numa porta próxima ao elevador de cargas, por onde ele havia subido ao andar térreo. Anna, a operadora de radar, passou a dizer a Versago:

         Anna –Versago, estou captando grande movimentação no abrigo onde você entrou e no andar B1, algo está acontecendo.

         O rádio que Versago havia pegado do vigilante na sala dos mísseis transmitia toda a conversa por canal dos vigilantes de toda a Colmeia. Assim, ele podia ouvir e saber de tudo o que estava acontecendo. Mustafá traduzia e informava-lhe tudo.

         Mustafá –Acho que te descobriram, os vigilantes estão falando sobre alguns homens que foram achados desacordados no andar B1 e um vigilante, pelo que me parece, alegou que foi atacado por um homem com mesmo uniforme militar cazaque.

         Foi Mustafá acabar em falar, o alarme da Colmeia começou a disparar. Sirenes e luzes vermelhas estavam ativas por toda parte, todos os vigilantes eram instruídos pelo rádio a procurarem por qualquer um desconhecido e suspeito que estivesse vestindo um dos uniformes militares cazaque deles. Consequentemente, formou-se aquela correria em toda a Colmeia, atrás deste invasor.

         Seu codec começou a chamar novamente, quando atendeu, era aquela mesma voz estranha que o salvara anteriormente:

         A Voz –Versago, você precisa chegar até o escritório de Rhoemer, lá há muitas coisas interessantes que irão lhe ajudar.

         Versago –Você novamente! Quem é você? Como sabe meu nome?

         A Voz –Isso não importa agora, garanto-lhe que logo saberá. No momento, preciso que chegue até o escritório de Rhoemer. Ele está no primeiro andar, na sala acima de sua cabeça. Dentro da gaveta na mesa do computador, há um pendrive que deixei lá para você, copie todos os arquivos do computador.

         Versago –Como você sabe destas coisas, e onde eu estou?

         A Voz –Você já tem esta resposta.

         Versago -...

         A Voz –Ah... Não se esqueça, o computador de Rhoemer é bloqueado com um código de segurança, quando o confrontar, digite P-A-N-D-O-R-A. Você irá burlar o Firewall.

         Versago –Pandora!

         A Voz –Exatamente, vou tentar manter os vigilantes afastados, peça o auxílio de Anna para guiar-lhe através do radar.

         Versago –Como sabe de Anna?

         Seu codec não respondeu mais nada como da última vez que falou com a “A Voz”. Imediatamente, Versago entrou em contato com a central:

         Versago –Anna, A Voz novamente!

         Anna –Positivo, eu captei.

         Versago –Você acha que ela esteja ouvindo toda a nossa conversa desde o início?!

         Anna –Não tenho certeza, mas é o que tudo indica, por tudo o que ela sabe.

         Mustafá –Ela sabe que nós sabemos que está dentro da Colmeia, se comunicando com você.

         Dostoievski –Versago, tudo isso não importa agora, concentre-se em chegar até o computador de Rhoemer como “A Voz” lhe disse, e extraia todas as pastas e arquivos para analisarmos.

         Versago –Positivo, coronel. Anna, qual o melhor caminho até o escritório de Rhoemer?
        
         Anna –Segundo as informações da “A Voz”, você terá de sair daí e andar uns cinco metros, até saguão principal deste abrigo. Lá tem uma escada que dá num corredor bem estreito no primeiro andar, siga-o até o final, é a sala de Rhoemer. O caminho não está fácil, há muitos vigilantes lhe procurando.
        
          Versago estava em risco, acuado na sala do gerador onde armara a bomba PEM para danificar todo o sistema elétrico da base. Ele ficou ainda um bom tempo dentro da sala do gerador até o corredor ficar parcialmente livre para sair. Os vigilantes foram orientados a andarem sem suas tocas ninjas, à procura de um homem descrito pelos guardas atacados, por isso ele não podia simplesmente se passar por um deles. Anna começou a guiar-lhe:

         Anna –Vá agora!

         Ele correu até o saguão.

         Anna –Debaixo da escada, se esconda, rápido!

         Quatro homens desceram as escadas e entraram no corredor de onde ele veio. Logo após, ele subiu a escada.

         Anna –Na segunda porta, à direita, vai sair um vigilante!

         Versago bateu o homem contra a parede e com alguns golpes e um choque de Taser, o fez desmaiar. Quando entrou no escritório de Rhoemer, o pendrive estava exatamente onde a “A Voz” lhe dissera que estaria, e o computador de Rhoemer pediu mesmo o código que digitou na sequência.

         Quem seria a “A Voz?” Por que estava ajudando Versago? São mistérios que cercavam a cabeça de todos que estavam envolvidos diretamente com esta missão.

         Enquanto todos os arquivos eram copiados no pendrive, Versago ouviu um barulho de hélice de helicóptero chegando. Olhando no relógio do codec, não tinha chegado há nove minutos depois que armou a bomba PEM, então, ele entrou em contato com a central.

         Versago –Coronel, onde estão os helicópteros?
        
         Dostoievski –Há cinco minutos daí.

         Anna –Este não é um dos nossos!


         Olhando pela janela do escritório de Rhoemer, Versago viu um helicóptero do mesmo modelo que lhe trouxe, um Hind-E Mi 24, pousando no heliporto imperceptível da Colmeia, e apanhando Rhoemer e mais umas duas pessoas, uma terceira parecia estar sendo chamada para entrar dentro do helicóptero só que parecia hesitar, era uma mulher com longos cabelos presos como rabo de cavalo. 

          O helicóptero nem parou as hélices e já levantou vôo, deixando para trás aquela mulher. Versago desesperadamente falou para Anna:
Helicóptero Russo Hind-E Mi 24

         Versago –Anna, você tem como rastrear o destino deste helicóptero?

         Anna –Positivo, porém, perderei o foco em você e não vou poder lhe dar o auxílio que precisa para saber dos movimentos dos vigilantes.

         Versago –Faça isso, eu vi Rhoemer entrando no helicóptero, é nossa chance da capturá-lo, eu cuido de mim aqui!

         Dostoievski –Negativo Anna, foque sua atenção em Versago e proteja-o.

         Versago –Coronel?!

         Dostoievski –Versago, você atualmente é um homem em campo sob minha responsabilidade e jurisdição, não posso perdê-lo, isso causaria muitos problemas ao estado Cazaque e à KNB em relação aos Estados Unidos. Com certeza a Interpol moveria uma ação contra mim e o governo pelos métodos usados para desmantelar esta organização, se você morrer.

         Versago –....

         Assim, Versago viu o helicóptero subir e voar sem saber seu destino. Quando o cronômetro da bomba PEM zerou próximo ao gerador, toda a energia foi esgotada, o pendrive ainda copiava arquivos do computador de Rhoemer e este processo ficou inacabado. Olhando pela janela viu uma série de lanternas à sua procura.

        Ainda com o auxílio de Anna, ele saiu do escritório sem enxergar nada naquela escuridão. Anna não havia detectado um homem que estava numa das salas do primeiro andar, porque ele subira uma escada incêndio vertical, do lado de fora do abrigo que dava acesso ao primeiro andar por uma janela, e de repente o ponto de calor ficou forte no radar de Anna. 

      Ela havia dito a Versago que um homem estava subindo a escada, e quando ele passou a abater o homem, o vigilante que subiu a escada vertical o flagrou desmaiando seu parceiro, efetuando assim alguns disparos do FAMAS que portava. No reflexo, Versago virou o corpo do vigilante desmaiado ainda em seus braços, se protegendo, e revidou os disparos com o seu fuzil FAMAS, alvejando seu agressor. 

        Os disparos chamaram a atenção de muitos vigilantes, que começaram a aparecer aos montes. Auxiliado por Mustafá, Versago jogou o corpo desmaiado do vigilante escada abaixo e desceu disparando para cima do corredor, gritando em dari:

         Versago –Ele está lá em cima! Ele está lá em cima!

         Os vigilantes que chegavam viam Versago descendo, correndo e acompanhando o corpo que rolava as escadas, e disparando para o corredor no primeiro andar gritando aquilo. Nem se preocuparam em notar sua face, e então não se apercebendo de Versago, começaram a disparar junto, arremessando granadas para o primeiro andar.

         Versago notou que vigilantes tomaram uma posição tática para subirem as escadas, e quando todos estavam de costas pra ele, tentou sair sem ser notado, mas, foi reparado por um dos guardas ali presente, que começou a interrogá-lo:

         -Hei você, como ele é?

         Versago não percebeu que foi com ele que este vigilante dirigiu a pergunta, então repetiu a pergunta que Mustafá conseguiu captar e dar a resposta.

         Versago –Ele é loiro e alto!

         -Por que você não entra na posição ofensiva?

         Versago –Não há necessidade há muitos já na formação.

         -Estranho seu sotaque, e eu nunca o vi por aqui...

         Mustafá ficou sem uma resposta. Visando o perigo, apenas alertou Versago, dizendo que o homem não estava acreditando. O vigilante levantou seu fuzil e apontou para Versago, e passou a dizer:

         -Identifique-se agora!

         Todos olharam e apontaram seus fuzis para Versago, mas, da porta principal do saguão, entrou uma mulher e disse para todos os vigilantes ali:

         -Deixe-o em paz seus idiotas, ele chegou recentemente aqui para me auxiliar no meu trabalho. O homem que estão procurando acabou de sair pela escada de emergência!

         O vigilante que principiara a interrogar Versago pediu desculpas a esta mulher, e retirou todos para fora, para caçar o fugitivo. Versago olhando para a mulher, pensou imediatamente que ela seria a “A Voz”. Então perguntou-lhe:

         Versago –“A Voz”?!

         A Voz –Vamos, não temos tempo pra isso agora, logo eles irão perceber que você não está lá fora.

         Olhando fixamente para aquela mulher, Versago perguntou:

         Versago –Quem é você?

         Só que de repente, explosões e muitos disparos combinados a um som de hélices de helicópteros interromperam a resposta, assustando-a, e fazendo ela fugir. Versago não tentou ir atrás dela por que pensou na ajuda que ela lhe deu.
         Logo, tudo acabou e Versago foi resgatado. Dentro do helicóptero voltando para central, seu codec o chamou:

         A Voz –Olá Versago, é “A Voz”. Mantenha seu codec ligado, em breve eu entrarei em contato.

         Quem poderia ser aquela mulher misteriosa que ajudara Versago em toda a missão?

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