Sinopse

Dois de Novembro traz um conto fictício de investigação, que fará o leitor realizar uma viagem pelo século XX, conforme os enigmas são desvendados. Procurei realizar um equilíbrio entre a ficção e a realidade, relacionando personagens com grandes personalidades do século passado até a atualidade. Normalmente o leitor verá fotografias ilustrativas dessas personalidades e também de símbolos das organizações que atuam ou atuaram nesse período. Qualquer evento futuro que venha a ocorrer no mundo que se iguale às fábulas desse livro não passará de mera coincidência!

Capítulo 17; Rescaldos de 11 de Setembro

                                   RESCALDOS DE 11 DE SETEMBRO
                                                                                                           (Parte 2)



         14 de agosto, E. U. A. Cazaquistão.


         A videoconferência continuava. O raciocínio lógico de Greg raramente se enganava, se estivesse certo, Versago, Kim, Demarco e todos que estavam naquela conferência estavam travando uma pugna contra o bioterrorismo. Eles tinham de considerar todas as hipóteses possíveis.

         Diante das considerações, Versago não pôde descartar o fato de existir um laboratório na Colmeia.

         Versago –Não sei, mas temos aquele laboratório que não cheguei a ter acesso na Colmeia, ele estava totalmente em chamas após a invasão. Será que os terroristas, não queriam que soubéssemos de algo que indicasse a existência de uma possível arma viral ou química?

         Josherran –Isto fortalece a hipótese de bioterrorismo. Mustafá, você disse que os terroristas também mencionaram a América?

         Mustafá –Positivo.

         Josherran –Se os mísseis Zevzda KH-35 não tem como alcançar o solo americano, pode-se pensar que os Estados unidos da América pode ser o alvo deste bioataque.

         Kim não duvidou da suspeita de Josherran, pois Mara estava nos Estados Unidos, e não estava agindo sozinha, como mostraram as últimas eventualidades.

         Kim –Bem, eu tenho um documento em mãos que gostaria de mencioná-lo, só que nessas alturas acho que já devem ficar sabendo. Quando Arnold Anderson foi resgatado, eu estive no seu cativeiro e coletei amostras de sangue que indicaram que ele foi torturado, e achei fragmentos de papeis rasgados, estes papeis foram analisados e restaurados através de programas de computador...

         Kim continuou falando, só que indo em direção a máquina de fax, enviar uma cópia a todos.

         Kim –A restauração dos fragmentos ficou bem nítida e compreensível, apenas faltando uma parte no canto inferior direito, como vocês observarão. Mas eu não faço a mínima ideia do que significa, já enviei uma cópia a cada um de vocês.

         Josherran, em seu escritório na sede da Interpol recebeu um, e Versago, Dostoievski e os outros receberam outros três em Alma-Ata, no Cazaquistão.


         Kim –Como vocês podem ver, há esse numero três, seguido do que pode ser o número dois em algarismo romano, e um símbolo dum foguete ao fundo sem nenhum dizer adicional, exceto pela parte que está faltando e esse foguete desenhado.

         Todos passaram a olhar aquele símbolo, mas não faziam a mínima ideia do que poderia ser aquilo que Kim coletou no cativeiro do governador Anderson.



Josherran disse:

         Josherran –São muitos detalhes que precisam de nossa total atenção neste momento. Primeiro, temos de nos concentrar na data que poderá suceder estes possíveis atentados, e descobrir quando será o Ekadashi, pois já estamos no meio de agosto. Estou enviando neste momento uma notificação, alertando todas as embaixadas e sedes da OTAN e ONU, alvos marcados por esta nova organização terrorista.

         Lembrando da mitologia helênica de que Greg falou, Anna, a operadora de radar que guiou Versago durante a missão Dari, falou sobre a ajuda misteriosa que receberam, de dentro da Colmeia.

         Anna –Senhores, nós não podemos descartar a esperança que temos no fundo da arca de Pandora!

         Como se tivessem combinado, Versago, Dostoievski, e Mustafá disseram ao mesmo tempo:

         “-A Voz!”.

         Josherran, confuso, perguntou:

         Josherran –A Voz? Do que é que vocês estão falando?!

         Roy Dostoievski começou a falar.

         Dostoievski –É uma estranha mulher que...

Cortando-lhe a palavra, Versago continuou:

         Versago –Roy permita-me. Josherran, enquanto eu estava na missão Dari na Colmeia, meu rádio decodificador chamou, alertando-me sobre uma coisa que iria fazer que poderia resultar no fim da missão e acabar numa tragédia. Era uma estranha mulher que se autodenominou de “A Voz!”

         Então, voluntariamente, Versago colocou sobre a mesa seu rádio decodificador, e continuou dizendo:

         Versago –Aqui está o rádio decodificador cujo qual ela achou meu sinal e me contatou. Eu continuo andando com ele pelo simples fato dela ter me dito que entraria em contato comigo novamente, através deste rádio.

         Josherran –Versago, me conte esta história direito.

         Versago –Eu estava no andar B2 da Colmeia, tentando entrar  numa enorme porta eletrônica que me daria acesso à sala dos mísseis. Pelo que me parece, o painel eletrônico que abria a porta deveria ter um limite de três chances para acertar o código que pedia, caso contrário, ele tocaria o alarme. Eu não fazia a mínima ideia disso, foi quando a “A Voz”, entrou em contato comigo, alertando-me e salvando a missão.

         Josherran –Anna, você conseguiu detectar o sinal?

         Anna –Positivo, eu inclusive ouvi a conversa, depois tentei triangular o sinal e achar sua origem, e descobri que vinha de dentro da Colmeia.

  Roy, raciocinando, disse:

          Dostoievski –Será que temos uma outra agência contra terrorista trabalhando para desmantelar essa nova organização, e não sabemos disto? É o que consigo imaginar!

         Josherran –É um bom raciocínio Roy, vou averiguar isso imediatamente, com todas as agências conveniadas à FTF e outras. Assim, saberemos se eles tem algum agente infiltrado nesta organização.

         Versago continuou a dizer sobre A Voz:

         Versago –E não foi só uma vez que ela me salvou dentro da Colmeia, eu cheguei a vê-la numa outra circunstância, quando a investida na área iniciou-se, outra coisa que ela fez por nós foi fornecer o pendrive onde armazenei as informações que copiei do disco rígido do computador de Rhoemer.

 Muito interessado na "A Voz", Demarco perguntou a Versago:

         Demarco –Versago, você conseguiria descrevê-la para um especialista?

 Josherran gostou da ideia e apoiou Demarco:

         Josherran –Mas é claro, você conseguiria fazer isso?

         Versago respondeu positivamente, porém, não queria comprometer esta pessoa, seja lá no que ela estivesse fazendo para desmantelar aquela organização terrorista.

         Versago –Com certeza conseguiria, mas não vou fazer!

Intrigados, todos não sabiam o por quê. Afinal, poderia ajudar na investigação, mas Versago esclareceu:

         Versago –Não podemos colocar a vida desta pessoa em risco sabendo quem ela é. Se ela não nos deu seu verdadeiro nome usando o codinome de A Voz, deve ter suas razões, e eu também devo isto a ela.

Versago foi muito contestado por tal decisão pessoal, principalmente por seu amigo e agente da CIA, Demarco O’Briam.

         Demarco –Não acredito nisto! Você continua o mesmo Versago que conheci no Iraque, tomando decisões pessoais sem pensar no seu trabalho e no que pode acontecer!

Vassili e Ernest, também se manifestaram:

         Vassili –Também não concordo com essa atitude sua, Versago! A Voz pode ser uma chave importante para esclarecer muita coisa!

         Ernest –O papel que Kim restaurou, Ekadashi, a Arca de Pandora e até a localização de Mara e Rhoemer esta mulher pode saber, precisamos saber quem é ela! Quem é A Voz!

Do contrário, Roy, Kim e Anna deram apoio a Versago, Josherran, Mustafá e Greg não se manifestaram nem contra nem a favor dele, e ficaram neutros em relação a isso.

         Kim –E que atitudes seriam tomadas se soubéssemos quem é A Voz, creio que não mudaria muita coisa!

         Dostoievski –Se resgatarmos sua verdadeira identidade, e descobrirmos que ela faz parte de uma agência contra terrorista que está à nossa frente nas investigações, podemos acabar deixando vazar isso com tanta tecnologia que temos e sem querer entregá-la aos terroristas, seria um risco!

         Anna –Senhores, concordo com Versago, do jeito que andam as coisas ela parece estar querendo colaborar conosco, e já deve ter uma confiança nele. Com certeza, ela deve entrar em contato logo para fornecer mais informações.

          A atitude de Versago em proteger a identidade da A Voz dividiu aquela conferência, mas Versago tinha outras razões para protegê-la. Assim, a videoconferência chegou ao seu fim, e muitos mistérios e enigmas rondavam a investigação. 

         Foi concluído que Noah, Valentine, Wilson e Nainenejad Abdo Rhoemer são o mesmo, assim como Sofia Morgan e Mara Votovisck Tutov. Todos concordaram também na urgência de saber o que é o Ekadashi ou quando será, porque segundo a convicção que tinham, os atentados aconteceriam nesta data.

      Outros enigmas eram: quem poderia estar ajudando Mara nos Estados Unidos, será que ela tinha um plano de bioataque para efetuar na data do Ekadashi? E aquele símbolo de um foguete e os números parcialmente em algarismos romanos, e parcialmente em numerais comuns?

       Será que Mara e Rhoemer teriam mais mísseis Zevzda KH-35 já armados e apontados para seus respectivos alvos em um silo? Onde seria a localização deste silo? E, finalmente, a questão que dividiu a videoconferência: quem seria a misteriosa mulher que ajudou Versago na Colmeia, que se autodenominava de A Voz?
        
São todas perguntas a serem respondidas e enigmas que deveriam ser desvendados, se eles quisessem evitar uma tragédia como a que aconteceu em onze de setembro de 2001. Foi através do rescaldo de tal data que a FTF passou a existir, e a família de Rhoemer morrer. Como num efeito dominó, causas levaram a consequências, e colocaram Versago e Rhoemer em lados opostos nesta história...

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