Sinopse

Dois de Novembro traz um conto fictício de investigação, que fará o leitor realizar uma viagem pelo século XX, conforme os enigmas são desvendados. Procurei realizar um equilíbrio entre a ficção e a realidade, relacionando personagens com grandes personalidades do século passado até a atualidade. Normalmente o leitor verá fotografias ilustrativas dessas personalidades e também de símbolos das organizações que atuam ou atuaram nesse período. Qualquer evento futuro que venha a ocorrer no mundo que se iguale às fábulas desse livro não passará de mera coincidência!

Capítulo 13; A Voz (Parte 1)

A VOZ
(Parte 1)

         Após o confronto com os vigilantes fora do serviço, Versago não poderia abandonar o local e deixar os corpos inconscientes ali. Havia uns armários no vestiário, e arrombando os cadeados das portas, colocou os cinco guardas lá, cada um dentro de um armário.

         Saindo dos chuveiros, ele teria de ir ao nível inferior concluir a missão, averiguando a força bélica desta zona militar e assim constatar o nível da ameaça. Porém, ele não conteve a curiosidade de averiguar uma livraria que estava no caminho do elevador. Ao entrar, se deparou com um monte de homens vestidos com trajes naturais da cultura islã, realizando suas orações como o costume e repetindo várias vezes a frase:

         -Allaho Akbar. (Deus é Grande)

         -Allaho Akbar.

Então, ele se perguntou:

         “Por que haveria uma livraria se ela tivesse sido improvisada numa espécie de mesquita?”.

         Versago analisava bem as estruturas do local e algo o incomodava, pequenas rachaduras nas paredes e alguns cantos próximos a dutos de ventilação com mofo. Toda aquela estrutura aparentava ter muitos anos, e não alguns, como já estava estabelecido.

         Indo até o elevador, apertou o botão para ir ao andar B2, onde estavam os equipamentos bélicos. Quando a porta do elevador se abriu, viu um imenso corredor que se dividia numa bifurcação com as luzes apagadas. Ligando uma pequena lanterna, iluminou o corredor e viu uma série de portas de aço bem grandes com duas gravuras que chamaram sua atenção, e painéis eletrônicos de acesso. Entrou em contato com a central.

         Versago –Anna, procure por movimentação neste andar e averigue pra mim, se estou realmente sozinho.

         Anna –Já fiz isso, as imagens infravermelho do satélite mostram pontos de calor bem fraco, você está sozinho nesse andar.

         Versago –Coronel, estou diante de uma porta de aço com o símbolo atômico e um outro radioativo, gravado com aviso de perigo. O andar parece não ter nenhuma espécie de vigilância armada, esta porta tem tamanho suficiente para passagem de mísseis balísticos do tamanho dos Tomahawks.

         Dostoievski –Símbolos atômico e radioativo?!

         Versago –Positivo, mas são apenas símbolos, não vi ainda nenhuma arma de tal porte.
        
         Dostoievski –Versago, use o cartão de acesso e entre, veja se eles realmente possuem armamento nuclear.

         Versago então passou o cartão de acesso, e o painel acusou:

         “A c e s s o   N e g a d o

         Numa segunda tentativa, Versago passou o cartão, sendo novamente recusado. Quando o seu codec o chamou, era uma voz feminina:

         -Não faça isso novamente, você ira ativar o alarme!

         Versago –Huh...

         -Você precisa do cartão nível 4 de acesso, e digitar o código nome de acesso “R-H-O-E-M-E-R”.

         Vendo a frequência no codec, Versago percebeu que não era ninguém que o coronel indicou para auxílio na missão. Então ele perguntou a esta mulher:

         Versago –Quem... quem é você? Como conseguiu a frequência do meu codec? Por que está me ajudando?

         -São muitas perguntas no momento, mas, pode me chamar de... “A Voz”.

         Versago –A Voz?

         Seu codec não respondeu mais nada, então ele entrou em contato com a central.

         Versago –Anna! Alguém com o codinome “A Voz” entrou na frequência do meu codec, me passando instruções de como abrir a porta da sala dos mísseis. Você tem alguma informação?

         Anna –Negativo.

         Dostoievski –A Voz?!

         Versago –Exatamente, A Voz.

         Anna –Eu captei a chamada, e estou triangulando o sinal neste exato momento.

         Dostoievski –Versago, são confiáveis as instruções que recebeu?

         Versago –Creio que sim coronel, pelo menos elas acabaram de salvar a missão.

         Mustafá –Coronel eu ouvi a conversa, ela soletrou o código da porta de aço, onde creio que é o nome que ouvimos dos vigilantes no elevador, R-H-O-E-M-E-R, Rhoemer.

         Dostoievski –Okay, se vocês confiam não tenho outra escolha. Versago, eu passarei o nome para Greg avaliar todos com este nome e sobrenome.

         Versago –Positivo.

         Versago e toda a central ficaram com uma pulga atrás da orelha em relação a esta ajuda inesperada e misteriosa, só que Anna já estava trabalhando na localização do sinal enviado ao seu codec.

          Assim ele decidiu ir adiante, passando por duas, três portas do mesmo gênero da primeira, o corredor em que estava era bem espaçoso e dava a volta nas três salas de mísseis. No final do corredor, ele quebrava a esquerda e continuava com uma leve subida. Versago notou uma câmera como muitas outras que vira, só que focada em mais três portas metálicas, somente uma delas tinha a dimensão das portas da sala dos mísseis.

        Por precaução preferiu não se expor, pois até então ele era um vigilante em patrulha, e neste andar deveria haver uma restrição para qualquer um que entrasse, pois não havia vigilância. Ele possuía algumas bombas PEM, que geram um pulso de alta energia em largo espectro defasado dum campo magnético de baixa intensidade, causando interferências temporárias em sistemas eletrônicos, a uma distância de dez metros.

         Esta bomba danificaria a câmera, só que ele tinha de estar fora do seu alcance ou então danificaria também todos os seus equipamentos eletrônicos, como o codec.

         Após desligar a câmera, foi correndo até as três portas no final do corredor. Elas diziam: Arquivo Morto; Sala de Armas; e a maior, Acesso à Antena. Versago sabia que pelo fato da câmera não estar mais transmitindo imagens, alguém poderia ser enviado para concertá-la, por isso ele abriu cada uma das portas e deu uma breve olhada em cada sala.

      Na sala de armas. havia muitas espingardas e fuzis, granadas incendiárias, munição, pistolas, enfim um farto suprimento bélico. Na porta maior onde dizia "acesso à antena", era um elevador de carga por onde os mísseis provavelmente passaram para serem estocados. Só que a sala que chamou sua atenção era onde estava escrito "arquivo morto". 

      Ali poderiam estar as respostas para suas suspeitas de que esta zona militar deveria ter muitos anos e não alguns meses. Quando entrou, ele passou olhando nas estantes as datas de muitas das pastas que haviam. Existiam arquivos desde a década de 70, todas escritas no alfabeto cirílico. Ele pegou uma pasta que dizia Baikonur, e datava 13 de abril de 1985, e começou a ler.

        1985 13 abr: Após um dia, um atraso causado por problema técnico com o lançamento de hardware, o primeiro foguete Zenit-2 explodiu fora de Baikonur. Devido a problemas com o controlador do propulsante consumo no segundo estágio do foguete, e seu motor funcionar fora do combustível e prematuramente abatido em T 400 segundos.A carga não atingiu a órbita e o lançamento não foi anunciada no momento.


   O foguete 03,0694 carga transportada EPN equivalente, representando geral dimensões, forma, peso e do centro de gravidade do Tselina-2 nave espacial. Para medir a vibração sonora e cargas durante o lançamento, o EPNs realizadas sensor acústico e vibração acelerômetros. Um conjunto distinto de acelerômetros também acompanhou o processo de carga capota abandonar. A EPN procedeu também hardware para medir parâmetros em órbita.

    
         Não entendendo nada, leu apenas o começo e pulou para outra pasta, desta vez datada de 13 de maio de 1987.

         1987 13 mai: Zenit-2 lançado com sucesso o Tselina-2 nave espacial. A carga útil anunciada como Cosmos-1844.Mikhail Gorbatchóv, chefe do Partido Comunista da decisão no momento em que, pessoalmente testemunhou o lançamento em Baikonur.

         E as pastas diziam coisas constantes sobre lançamentos e testes de foguetes no cosmódromo de Baikonur, em Semipalatinsk, no Cazaquistão.

   1991 30 ago: Zenit-2 não conseguiu colocar um satélite em órbita, devido à segunda fase ser um fracasso.


   1992 17 nov: - 10:42 Moscovo Time: Zenit-2 lançado com sucesso o Tselina-2 nave anunciado como Cosmos-2219.



   1994 4 nov: Zenit-2 lançado Resurs O1-3 espacial de Baikonur.


   1997 26 mai: Zenit explodiu 48 segundos após o lançamento, enquanto a elevação Tselina-2 nave espacial.Os escombros caíram cerca de treze quilômetros de distância.

         Versago, notificando tudo, entrou em contato com Dostoievski para informar-lhe:

         Versago –Coronel, minha suspeita sobre esta zona militar se confirmou com esses documentos que estou em mãos.

         Num tom de espanto, o coronel Dostoievski perguntou:

         Dostoievski –Documentos?! Que documentos?!

         Versago –Eu entrei no arquivo morto e pesquisei algumas pastas que me dessem respostas sobre este lugar. Encontrei documentos que provam a ligação daqui com a base de Baikonur, em décadas passadas.

         Dostoievski –O Cosmódromo?

         Versago –Positivo, o cosmódromo de Baikonur em Semipalatinsk, aqui no Cazaquistão. O que isso significa?

         Indiferente, Dostoievski respondeu sem ênfase à pergunta de Versago, tentando desacreditá-lo da veracidade dos documentos.

         Dostoievski –Não sei, Versago, será que estes documentos são confiáveis?

         Versago –É claro que sim... Senhor, tem algo de errado com o senhor? É percebível uma diferença na sua modulação ao conversar sobre este assunto. Sinto um receio da tua parte.

         Respirando fundo, o coronel Roy Dostoievski respondeu a Versago, num tom de confissão.

         Dostoievski –Realmente... Você tem razão. Meu medo nesta missão era que ela acabasse expondo o que você acabou de encontrar.

         Versago –E o que eu acabei de encontrar, coronel?

         Dostoievski –Todos os arquivos dos testes e lançamentos de mísseis e foguetes, desde a antiga União Soviética até a nova república do Cazaquistão.

         Versago –Não entendi!

Mikhail Sergeyevich Gorbatchóv
Último Líder Soviético 1991
         Dostoievski –Durante o período da guerra fria, a União Soviética usava a base de Baikonur para testes nucleares. Com a ascensão da corrida espacial, a base se tornou um cosmódromo, e assim iniciavam-se suas pesquisas tecnológicas através desta conquista. O problema estava justamente nos testes nucleares que a antiga União Soviética realizava em Semipalatinsk. Estes arquivos guardam toda a estratégia militar de uma ofensiva nuclear contra os Estados Unidos, se caso a guerra mudasse para um estágio agressivo. O presidente do Supremo Soviete, Mikhail Gorbatchóv, acompanhou muitos destes testes e estratégias de ofensivas.

         Versago –Sua preocupação real é pelo fato de eu ser americano, e ter acesso a este tipo de informação?

         Dostoievski –Sim, admito, não por preconceito, pois a guerra fria acabou faz muitos anos... mas expor tais informações a um homem que já fez parte do maior rival da União Soviética, abriria as portas das defesas russas hoje.

         Versago –Lhe entendo, talvez eu pensasse do mesmo modo se estivesse no seu lugar em relação aos Estados Unidos... mas há uma coisa, o que este lugar tem a ver com Baikonur? Por que tais arquivos vieram parar aqui?


         Dostoievski –Baikonur era muito conhecida pelos americanos e isto fazia dela um alvo, se a guerra realmente pulasse para um estágio de agressão nuclear. Então o chefe do partido comunista Gorbatchóv, movido pelos apelos ao desarmamento, assinou com Ronald Reagan na reunião da cúpula em Washington, um acordo sobre a eliminação dos mísseis de porte
Ronald Wilson Reagan
Presidente dos E.U.A (1981-1989)

médio na Europa, em dezembro de 1987. Este acordo envolvia também a base de Baikonur, no Cazaquistão, e os mísseis deveriam ser desativados, porém, isso não ocorreu como no acordo. Muitas dessas armas foram estocadas em abrigos ultrassecretos para fins de defesa nacional. Então, conservadores ligados a Gorbatchóv e com grande influência no cosmódromo de Baikonur, elaboraram um projeto para a construção de um armazém subterrâneo, que estocasse o arsenal balístico nuclear Soviético, e onde você está agora é o resultado inacabado da “Colmeia”.

         Versago –Colmeia?

         Dostoievski –Sim, Colmeia... Este era o nome de batismo do lugar onde seriam estocados todos os resultados das pesquisas tecnológicas espaciais e nucleares bélicas soviéticas.

         Versago –O que aconteceu com o projeto?

         Dostoievski –Em 1990, Gorbatchóv foi eleito presidente da antiga União Soviética que, com uma situação econômica desastrosa e o aumento das tensões interétnicas, e as reivindicações de independência das repúblicas soviéticas, levaram-no a se reaproximar dos conservadores. Foram estes mesmos conservadores que idealizaram o projeto sem o consenso dele, iniciando a construção da Colmeia sem o conhecimento do seu presidente. Na verdade, mesmo com uma União Soviética já falida, estes conservadores acreditavam numa reviravolta por meio da força. Sabendo que não teriam o apoio de Gorbatchóv, tentaram derrubá-lo através dum golpe de estado, em agosto de 1991, que fracassou. O fracasso dessa tentativa provocou o desmantelamento da União Soviética. Assim, fazendo todos os planos e projetos dos conservadores caírem no esquecimento, então...

         Interrompendo sua explicação, e suspirando profundamente Dostoievski deu uma longa pausa, mas Versago o intimidou a continuar.

         Versago –Então...

Dinmukhamed A. Kunayev
Presidente do Conselho de Ministros
do Cazaquistão.
         Dostoievski –Então... um ano antes do golpe de estado, o presidente do Supremo Soviete, Dinmukhamed A. Kunayev, proclamou a supremacia das leis do Cazaquistão sobre a antiga União Soviética, e isso resultou na proibição dos testes nucleares na base de Baikonur fechada em 1991. Talvez tenha sido assim que os projetos e as pesquisas foram parar na Colmeia, por uns poucos que tinham o conhecimento dela.

         Versago –Coronel, mas os mísseis do tratado assinado por Gorbatchóv foram trazidos para cá pelos conservadores, como o senhor disse?

         Dostoievski –Eles conseguiram agir debaixo das barbas do presidente e ainda tentaram derrubá-lo, não sabemos até que ponto conseguiram realizar seus objetivos. Aquela época era um tanto caótica.

         Versago –Quer dizer que Mara poderia ser uma conservadora ligada ao partido de Gorbatchóv?

         Dostoievski –Mara não, seu pai talvez, nesta época, ela era uma criança!

         Versago –É verdade, não calculei o tempo com a idade de Mara hoje. Então está explicado, a mesquita que encontrei no andar B1. Mara não construiu este lugar, ela adaptou em reformas.

         Dostoievski –É possível... Em 16 de dezembro de 1991, o Cazaquistão se declarou uma república independente da União Soviética, herdando todo o seu potencial nuclear e abrindo mão logo em seguida desta força bélica, devolvendo a Rússia essas armas.

         Versago –Assim, o governo cazaque desconheceu esta zona militar, dando margens para quem conhecia construir aqui sua organização secreta, como Mara. Entendi. Coronel... peço que não se preocupe, segredo de estado é segredo de estado, vou continuar a missão.

Cosmódromo de Baikonur
         Versago acabara de saber a origem do lugar onde estava e que ele é o resultado inacabado dum projeto chamado Colmeia. Ele foi até a porta que estava fechada e que dava acesso de volta ao corredor e ouviu algumas vozes. Imediatamente, Anna o contatou:

         Anna –Versago, há dois homens atrás da porta, um parece estar mais elevado que o outro.

         Versago –Devem ser os elementos enviados para concertarem os circuitos da câmera que eu fritei.

         Assim, abrindo a porta em velocidade, Versago derrubou uma escada onde estava um vigilante no alto, que teve uma queda violenta que sem querer acionou o elevador de carga para subir.

Disparou um dardo tranquilizante em um, e depois no outro que havia caído. Ao averiguar seus corpos, encontrou outro cartão de nivelamento valor 4. Era o nível dito pela “A Voz” para obter acesso à sala dos mísseis. Voltando assim pelo corredor até as enormes portas de aço, passou o cartão no painel que permitiu o acesso, mas pediu logo em seguida:

         “E N T R E  C O D I G O  A C E S S O

         Então ele passou a digitar as letras transliteradas R-H-O-E-M-E-R.

         Quando a porta se abriu, ele viu uma série de quatro mísseis estocados e um painel indicando “Desarmado”, então entrou em contato com a central:

         Versago –Coronel, confirmada a ameaça bélica, há mísseis modelo Zevzda KH-35, são quatro deles.

         Indo averiguar as outras salas de mísseis, Versago contou mais dez mísseis deste mesmo modelo, só que afirmou via codec.

Míssil Balístico Zevzda KH-35
         Versago –Eles não possuem armas nucleares, porém, tem um enorme potencial militar. Mas há uma deficiência, não existem lançadores aqui, para este equipamento.

         Dostoievski –Positivo, Versago, sua missão está concluída, vou mandar subir os helicópteros para o resgate. Logo eles irão saber da invasão.

         De repente, as luzes do andar se acenderam, Versago deu uma olhada no elevador principal que o trouxe a esse andar, e viu que alguém estava subindo do andar B3 onde ficava o laboratório. Quando a porta se abriu, três homens falando em russo apareceram. 

      Um deles tinha um sotaque estranho e estava vestido diferente dos outros. Os guardas que o acompanhavam, por sua vez, dirigiam-se a ele às vezes como Naid, às vezes como Rhoemer. Versago passou a ouvir a conversa no idioma russo:

         Naid –Eu quero tudo pronto para ontem, o ataque será efetuado no “Ekadashi” de agosto, os mísseis terão de ser retirados daqui amanhã de manhã, e transportados para o silo. Cada um configurado para uma embaixada americana, britânica e prédios sedes da OTAN e ONU em toda a Ásia.

         -Sim senhor.

         Naid –O governador americano será nossa principal arma na América, Mara já está lá cuidando disso. Certifique-se de toda a preparação.

         Versago, apoiado numa das paredes do corredor que dava a volta na sala dos mísseis, ouvia tudo o que era dito. Naid passou o cartão, digitou o código nome e entrou numa das salas. Um dos homens que estavam com ele mexendo no painel, que estava avisando desarmado, passou a dizer:

         -Senhor Rhoemer, todos os mísseis estão configurados para os alvos que escolheu. Eles estão modificados com a tecnologia “Stealth”, dificilmente um radar irá captá-los, eles possuem navegação GPS a qual o senhor poderá acompanhar tudo do seu laptop.

         Naid –Muito bem, meu helicóptero já está chegando, mãos à obra!

         Aquele homem então de nome Naid Rhoemer voltou para o elevador, deixando seus subordinados realizarem os últimos testes nos mísseis Zevzda KH-35.

         Meditando sobre o que havia ouvido, Versago pensou em várias coisas, os alvos ali mencionados, o por quê eles falavam russo num lugar que a vasta maioria falava em dari, quem era aquele com um sotaque estranho de nomes Naid Rhoemer, que data era “Ekadashi”... e como o governador americano sequestrado Donald Anderson era uma arma. Então ele comunicou a central via codec sobre o que havia ouvido:

         Versago –Senhor coronel, a missão não está acabada!

         Dostoievski -Mm...

         Versago –Eu vi e ouvi o verdadeiro mentor de tudo, seu nome é Naid Rhoemer, e ele falou de alvos envolvendo embaixadas americanas e britânicas em toda Ásia e sedes da OTAN e ONU.

         Dostoievski –Mas você não disse que eles não possuem um lançador para os mísseis?

         Versago –Positivo, só que em algum outro lugar eles tem um silo para os Zevzda KH-35.

         Dostoievski –Um silo?

         Versago –Afirmativo, e também falaram do governador americano sequestrado que ele seria uma arma, e o ataque ocorrerá no “Ekadashi”.

         Dostoievski –Mustafá...

         Mustafá –É verdade, eu ouvi tudo em russo só que eu não reconheço esta palavra “Ekadashi”.
        
         Anna –Senhores, há movimentação dos homens na sala dos mísseis!

         Os dois homens saíram da primeira sala e foram para a segunda. Versago deu a volta no corredor e continuou a discutir o assunto com a central:

         Versago –Coronel, eu vou rendê-los e interrogá-los.

         Dostoievski –Negativo, já passou de uma hora que você desmaiou os primeiros vigilantes, logo irão acordar e alertar a base da sua invasão.

         Versago –Senhor, podemos chegar às respostas mais rápido!
        
         Desobedecendo uma ordem direta de Dostoievski, Versago tentou rendê-los, entrando na sala de mísseis armado com a pistola com supressor, e disse:

         Versago –Parados, não se mexam, larguem suas armas!

         Ignorando, um deles levou seu rádio codificador à boca e principiou a falar alertando a base. Versago disparou um dardo em um e deu um chute no fuzil do outro homem que ia erguendo-o para alvejá-lo, logo em seguida saindo na luta corporal com este, só que se viu obrigado a esfaqueá-lo e matá-lo.

         O rádio do primeiro vigilante alvejado passou a responder no idioma dari. Versago pegou ele e com o auxílio de Mustafá, passou a dizer:

         Rádio –Nicolay, pode repetir não entendi o que disse!

         Versago –Por favor, eu estou aqui com a manutenção e o elevador de carga acabou subindo por acidente. Pode mandar o “Mohammad” para descê-lo.

         Rádio –Positivo.

         Mustafá passou a dizer a Versago:

         Mustafá –Versago, você disse a eles que o elevador de carga estava com problemas e pediu para um Mohammad para descê-lo, vá para lá agora.

         Versago –Mohammad?

         Mustafá –É um nome muito popular do islamismo, foi uma jogada de sorte, deve ter alguém chamado assim aí. Eu fiz isso para não levantar suspeitas, vá agora.

            Antes de correr, ele armou três bombas PEM dentro de cada uma das salas, e ativou o contador fechando as portas eletrônicas logo em seguida. Quando elas explodissem, danificaria o sistema eletrônico dos mísseis e das portas que não abririam mais. Versago também se apossou do rádio do vigilante morto. 

      Quando chegou ao elevador, ele já estava descendo com o tal Mohammad dentro, e os corpos dos vigilantes que vieram consertar a câmera ainda estavam ali no chão, desmaiados. Versago se escondeu atrás da porta da sala de armas, que dava de frente para a porta do elevador. Quando Mohammad chegou, sua primeira reação foi abaixar e averiguar os corpos dos vigilantes desmaiados, e assim, baixando sua guarda, não foi difícil rendê-lo e desmaiá-lo.

         Ele pegou então o elevador e começou a subir quando Anna o contatou.

         Anna –Versago, acabei de terminar a triangulação do sinal enviado pra você, ele veio de dentro da zona militar ou Colmeia, como Dostoievski disse.

         Versago –Aqui de dentro? Como pode ser?

         Anna –Não dá pra saber, mas a pessoa que lhe ajudou está aí em algum lugar, dentro da Colmeia.

         Além dos novos mistérios que passaram a cercar a cabeça de Versago, tinha a mulher misteriosa que o ajudou, quem seria ela? Por que se autodenominava como “A Voz?”.

         Às vezes, a ajuda está mais próxima do que nós imaginamos...

Um comentário:

  1. Um verdadeiro filme de suspense! Espetacular. Publica mais capítulos,por favor!! kkkk Parabéns pelo trabalho.

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